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Publicado em 01/07/2016

Fonte: www.filhosdapauta.com

Oscar Bernardi: um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro

Mineiro de Monte Sião, José Oscar Bernardi nasceu em 20 de junho de 1954 – ano em que foi disputada a Copa do Mundo da Suíça, que terminou com o primeiro título da Alemanha. Coincidência do destino ou não, Oscar veio a defender a Seleção Brasileira – que naquela edição ficou na sexta colocação – nos mundiais de 1978, 1982 e 1986.

 

Tido até hoje como um dos maios zagueiros do nosso futebol, ele conta que não vislumbrava ser jogador e que foi praticamente amarrado até Campinas para o que pensava ser um teste na Ponte Preta. “O meu pai me levou lá para conversar, eu pensava em retornar para casa, mas ele já tinha levado minha mala no porta-malas”, relata Bernardi, completando que não queria deixar a vida no interior para viver na ‘cidade grande’.

 

Tanta era a saudade da terra natal, que ele chegou a abandonar o clube campineiro em duas oportunidades. Com 17 anos mudou-se para Campinas, aonde, além dos primeiros passos no futebol profissional, formou-se anos mais tarde em fisioterapia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC).

 

Sua estreia na equipe principal da Ponte Preta aconteceu por acaso em 1972, quando integrava o elenco de juniores. No dia da partida, ele havia sido dispensado conjuntamente ao restante do elenco para visitar os respectivos familiares, entretanto, preferiu ficar para assistir a partida contra o Santos. Um dos zagueiros do time não renovou o contrato com o clube, o que abriu uma brecha para sua inesperada estreia.

 

O jovem teve um ótimo desempenho no jogo, o que obrigou a comissão técnica da época a mantê-lo no elenco principal. Sucessivamente, ele se perpetuou como titular da camisa três da Ponte Preta e assim permaneceu por oito anos.  

 

Sereno e com qualidade técnica acima da média, Oscar tinha a incrível capacidade de roubar a bola dos adversários sem cometer faltas. Ele confidencia que na juventude não torcia por time algum, porém, no período em que atuava “gostava muito do Luís Pereira (zagueiro que fez história com a camisa do Palmeiras), ele é mais velho, eu gostava de vê-lo jogar”.

 

Do Cosmos para o São Paulo

Destaque no clube do interior, Bernardi tinha seu nome ligado constantemente a grandes clubes do país. Porém, naquela época, dita a era romântica do futebol, era mais complicado de se contratar um jogador do que atualmente. Ainda com a camisa da Ponte Preta, ele foi convocado e se tornou um dos jogadores mais importantes do Brasil na Copa do Mundo de 1978.

 

Em 1980, foi vendido ao Cosmos-EUA por 16,5 milhões de Cruzeiros, valor este que ajudou o clube de Campinas a resolver seus problemas financeiros. A aventura na América não durou nem um ano; voltou ao Brasil para jogar no São Paulo, aonde viria a se tornar ídolo também.

 

“Fiquei contente quando parei de marcar o Serginho (Chulapa) e fui jogar no time dele”

 

 

 

"Acho que na época em que eu joguei, todos os times tinham um (grande) jogador, um atacante de destaque. No Flamengo tinha Zico e Nunes, Roberto Dinamite no Vasco, Serginho (Chulapa) no São Paulo, Juari no Santos, Geraldão e Sócrates no Corinthians, Reinaldo no Atlético-MG. Então, essa leva de jogadores me deu muito trabalho”, relembra Oscar sobre uma era de ouro do futebol brasileiro.


Seleção precisa de um pouco mais de alma 

Ainda sobre o esporte mais popular do país, ele analisa que o estilo de jogo mudou, principalmente na Europa onde as equipes atuam de forma mais compacta encurtando os espaços. Por lá jogam – e bem –, na opinião de Bernardi, praticamente todos os jogadores que tem defendido com regularidade a amarelinha.

 

“Eu acho que a Seleção Brasileira precisa de um pouco mais de alma, os jogadores saem muito cedo daqui e parece que não tem muito compromisso com os torcedores”, analisa ele.

 

Sobre o momento, ressalta que o nível do nosso futebol não diminuiu. Em sua concepção, a Seleção deveria realizar mais jogos, principalmente amistosos, dentro do próprio país ao invés do exterior. Isso aproximaria os jogadores dos torcedores e, possivelmente, resgataria a empatia de outrora.

 

Tendo atuado com a camisa canarinha por inúmeras vezes, ele avalia que os defensores atuais do Brasil são bons e diz que desempenhar a função ficou mais fácil. “Embora eu ache que hoje o futebol ficou mais rápido, para os zagueiros melhorou. Porque o meio de campo é mais concentrado, a maioria dos times joga no 4-5-1, antes jogava no 4-3-3, 4-2-4, era diferente do que é agora. Hoje o zagueiro tem mais bola atrasada, bola expirada, propriamente você não corre mais atrás de atacante”, explica. 

 

Vida após o futebol

Ainda como jogador Oscar começou a planejar a sua vida após a carreira. Depois de algumas experiências como treinador, incluindo uma passagem rápida pelo Cruzeiro em 1997 – ano em que o clube conquistou uma Libertadores da América –, ele deu vida a um projeto pessoal: se tornar empresário.

 

Inspirado em um hotel no qual se hospedava com frequência no Japão, ele estruturou o Oscar Inn Eco Resort, que conta com um complexo esportivo de primeiro mundo. O local recebe constantemente delegações dos mais variados clubes do Brasil e do exterior. A qualidade da infraestrutura é tão grande que o espaço foi escolhido pela Costa do Marfim para receber a sua seleção durante a Copa do Mundo do Brasil, em 2014.

 

Desde 2007, o ex-jogador mantém também um time formador, intitulado Brasilis F.C – nome escolhido para proporcionar um vínculo com o país. Oscar informa que desde o princípio a ideia era atrelar o hotel cinco estrelas ao esporte e engana-se quem acha que vai encontrar moleza no início de carreira pelo clube.

 

“O nosso treinador, eu sei que ele é chato, pega muito no pé dos meninos, mas como eu falei a pouco para uma mãe, eles têm que entender que aqui não é um SPA. Ele veio aqui para treinar, para ter disciplina, para aprender a jogar futebol, mas também para aprender muita coisa da vida”, explica Bernardi sobre o ideal que implantou no clube: formar atletas e melhores cidadãos.

 

Contando com sua supervisão e apoio, além de grande experiência de vida aliada à carreira vitoriosa no esporte, o clube é gerido por Matheus Bernardi, um dos três filhos do ex-zagueiro. Oscar conta ainda com o suporte da família para administrar também seu hotel.  

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